Cada um tem exatamente o que merece. Tudo repercute.
Até o mais simples gesto ou ação. Causa e efeito.
Vivemos entre os nós de uma complexa rede. Não somos uma ilha. Jamais ignorados. Para o bem ou para o mal.
Tem coisas que dizemos e são entendidas ao pé da letra.
Tem coisas que precisamos falar, mas não temos coragem.
Tem coisas que pronunciamos, mas ninguém escuta.
Tem coisas que afirmamos e não são compreendidas.
Tem coisas que não falamos e, no entanto, nossa autoria a elas é atribuída.
Tem coisas que declaramos, e outros assumem como suas.
Tem coisas que proferimos, das quais não nos orgulhamos. A tais palavras desejamos o caminho do esquecimento.
Porque vivemos na representação de outrem. Somos seres sociais, da palavra, do simbólico.
Pessoas simplesmente gostam da gente. Ou não gostam. E mil outros tons cinzentos.
Eu acerto. Eu erro. Ele acerta. Ele erra. Nós acertamos. Nós erramos. Nós humanos.
O negócio é aceitar a si mesmo e o fluxo das coisas. É menos desgastante e oneroso.
As pessoas tem o que merecem. E desempenham o papel que devem desempenhar.
Você está exatamente onde merece estar. Ou seja, em órbita.
E o universo só vai conspirar ao seu favor se você conspirar a favor das pessoas à sua volta. Tal é a dinâmica gravitacional social.
Cada um em sua rota. Ou fora dela. Passando perto ou longe. Em um mesmo sistema.
É assim. Meio funcionalista, não? Mas muito humanista.
(quem sabe continua... ou não.)
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Algumas reflexões sobre este tal de rolezinho
Li muita coisa sobre os tais "rolezinhos". Muitas pessoas colocaram sua visão sobre o caso. Como professor de Teorias da Comunicação, eu ainda não havia feito uma leitura adequada. Acredito que o mais importante sobre estes eventos não é o ato em si, mas os desdobramentos nos campos da opinião e representação.
Primeiro, o que é este tal de rolezinho? Vamos definir. É um termo que estão usando largamente para definir um agrupamento de jovens que se articulam via web, para "causar" no shopping. Segundo a wikipédia:
"[...] Rolezinho (diminutivo de 'rolê' ou 'rolé', em linguagem informal brasileira, significa "fazer um pequeno passeio" ou "dar uma volta" 1 ) é um neologismo para definir um tipo de flash mob ou coordenação de encontros simultâneos de centenas de pessoas em locais como praças e parques públicos e shoppings. Os encontros são marcados pela internet, quase sempre por meio de redes sociais como o Facebook. Os rolezinhos vem ganhando destaque no noticiário brasileiro devido a delitos cometidos por alguns participantes, como tumultos, furtos e agressões."
Ou seja, não é só um passeio no Shopping.
Temos muitas perspectivas. Estas vão variar conforme a tendência teórica de um ou outro autor. Acredito que tais comentários podem ser divididos em três grandes grupos:
1) Existem aqueles que desmerecem, usam a chacota para afirmar que os tais rolezinhos são compostos por uma massa jovem ignorante, fruto de uma gestão governamental inoperante. Aí entra preconceito nas mais diversas formas, para justificar - e alarmar - o desnível funcionalista em nossa sociedade atual. Estes não estão errados na raiz da questão, uma vez que tem toda uma questão referente à propriedade privada e criminalidade embutida nos tais rolezinhos. É consequência do empoderamento das mais diversas camadas sociais, proporcionado pelos meandros da internet;
2) Tem aqueles que entendem o processo à partir de uma visão sobre a luta de classes. O viés político. E dão destaque à truculência policial e ao direito de ir e vir. Estes TAMBÉM não estão errados. Os rolezinhos tem fator político - mesmo que não seja intencional e é sintoma de uma sociedade desigual, que oferece o consumo à massa, mas não a inclui por inteiro;
3) E aqueles que amarram estas "manifestações" a uma leitura cultural do processo. Uma conjunção de significados, identidades, contextos que se articulam em fluxos disformes e imprevisíveis, que acabam por se cristalizar no ato em si. Este é o menor agrupamento dentre os detectados, pois não polemiza. Tenta não ideologizar. Ligada á lógica do consumo, que também está correta.
Ou seja, todo mundo está certo. Só que não. Como assim? Enquanto ocorrem embates para provar que cada ponto de vista está certo, outros processos ocorrem paralelamente em nossa sociedade. Silenciosamente.
Organizando as idéias, podemos dizer que os grupos 1 e 2 se polarizam, em um confronto simbólico dentro de um CAMPO permeado pelas relações de PODER, levando a discussão a um nível BLACK and WHITE, sem tons de cinza. Um processo embebido em massificação e paixão. Ou seja, o mesmo processo imanente aos sentimentos das torcidas em confrontos futebolísticos. Entretenimento?
É o mesmo processo utilizado largamente pela grande mídia de massa para desviar o assunto de outra questão polêmica que está rolando no campo da política.
Ou seja, é possível que o assunto ganhou mais relevância do que deveria, porque alguém está lucrando com isso.
Considerando que: a) Janeiro é um mês praticamente vazio de pautas significantes - é batata, podem conferir b) Copa do mundo já está aí, permeada por processos obscuros c) ano eleitoral...
Existem outras variáveis. Mas acredito que todas elas apontam para a lógica do AGENDA SETTING. Ou seja, a mídia pauta a sociedade. Metaforicamente usa uma lupa para ampliar algum fato dentro da sociedade, fazendo que este se sobressaia a outros.
É meio que uma forma que guiar a opinião pública. Não é manipular. É guiar mesmo. Decidindo o que a sociedade vai discutir, certos grupos não precisam se preocupar com o teor da polêmica.
Então:
1) Os tais rolezinhos dariam um bom tema para pesquisa sociológica ou antropológica, enquanto visão cultural;
2) Quando arbitrariamente se politiza em excesso estas manifestações, elas perdem sua função e morrem no nascedouro. Praticamente anulam o potencial de resistência dos rolezinhos. É um ato estéril, que morre em si. Neste sentido, o rolézinho "artificial" de Cuiabá-MT, mobilizado por grupos políticos, é tudo menos de "resistência". O que não quer dizer que não é interessante. Mas não é o mesmo fenômeno que acontece em São Paulo. Nesta linha, a tal "guerra de gangues" que ocorreu no Shopping Pantanal é mais próxima da idéia original. Mas a mídia cuiabana - com exceções - tratou de rotular e vilanizar o ato rapidinho para não "viralizar" a idéia.
3) Porque agendar? Quem está lucrando, se existe mesmo este agendamento? O que este agendamento está encobrindo?
Creio que ao final destas linhas, é possível chegar a algumas hipóteses que possam responder a estas perguntas. Não falo agora as minhas. Mas imagino que o leitor deva supor quais elas são.
#comentem
#comentem
terça-feira, 19 de março de 2013
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Mexendo o angú. De novo.
Aos leitores do blog... Cá estou de volta. O limbo me fez bem....E blá, blá, blá...
Muita enrolação... Hora de produzir novos textos.
Aguardem.
segunda-feira, 5 de março de 2012
BIG FISH e o PÓS-MODERNO
* Danna Belle
Néstor García Canclini afirma “O pós-modernismo não é um estilo, mas a co-presença tumultuada de todos, o lugar onde os capítulos da história da arte e do folclore cruzam entre si e com as novas tecnologias culturais.” (Culturas Híbridas - estratégias para entrar e sair da modernidade). Tim William Burton, cineasta norte-americano essencialmente pós-moderno, demonstra muito isso em seu filme Big Fish.
A verdade se funde com a fantasia narrando uma vivência de um pai com seu filho. Edward Bloom conta a seu filho desde crianças suas histórias, cada palavra que ele diz representa magia de um mundo hiper-real, característica do pós-modernismo. Will Bloom adora os contos do pai na infância, mas com o passar dos anos vai perdendo a magia e começa a desacreditar em seu pai.
Edward é um típico homem pós-moderno, valoriza a arte e nos personagens de seus contos destaca emoção, cria novas formas banindo o referente. Burton também usa desta linguagem pós-moderna através do maravilhoso trabalho com a estética de formas atraentes e suas cores, seduzindo ao público a acreditar em cada detalhe. “Linguagem nova quer dizer forma nova, não imitativa (...) um jogo com formas inventadas”, afirma Jair Ferreira dos Santos em O que é Pós-Moderno.
Filme apoiado em um simulacro representa a marca pós-moderna no cinema, mostrando o que Jair dos Santos chama de “tecnociência”, ciência unida a tecnologia. Burton trabalha com a técnica stop-motion, juntando pessoas e recursos computadorizados. O cineasta afirmou em entrevista “Acho que a imagem gerada por computador funciona para algumas coisas. Não dá para fazer certas coisas sem isso.”
Will completa o cenário moderno representando a família nuclear, chamada assim pelo escritor de O que é Pós-Moderno, onde marido, mulher e filho vivem isolados em um apartamento. Porém demonstra seu lado pós-modernista quando o pai está internado a ponto de morrer. O filho realiza o sonho de seu pai, contar histórias tão bem quanto ele, tornando assim reais. Tornando o real mais intenso e bonito.
Nomeado como Melhor Filme de Fantasia no Staum Business Awards; no British Academy Film Awards, foi indicado como Melhor Design de Produção e Melhores Efeitos Visuais. Nomeações concedidas devido a característica do pós-moderno, grandes efeitos especiais e nostalgia do personagem remeter ao seu passado brilhante, estando no fim do filme perto do final de sua vida.
Descrição perfeita do “nouveau roman” demonstrada na recuso do enredo com começo, meio e fim. Edward perto do fim da vida começa a contar o início de sua história. A ordem temporal e espacial dos acontecimentos é embaralhada durante a narração. Segundos após aparecer Will em seu casamento ele conta a história de sua infância. Apresentando outro ponto, o uso de vários narradores.
De um modo geral o filme apresenta uma descrição do novo romance feita pelo Jair dos Santos “Mistura realidade, sonho, delírio, para criar um clima de incerteza”. O personagem-heroi envolvido com aventuras, um toque de mistério e muita bravura, durante o início e meio do filme, encerra o filme em seu velório com uma bela mensagem moral. E enorme valorização do olhar de uma câmera cinematográfica assim como todo o filme.
* Aluna do curso de Jornalismo da Universidade de Cuiabá (UNIC). Texto Produzido para a disciplinas Teorias da Comunicação II, ministrada pelo professor Rafael Marques.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
ME GUSTA! Uma viagem à Bolívia
Coisas interessantes que gravei - em baixa qualidade - em viagem à Bolívia em Julho/2011.
A aventura foi organizada por Aroldo Maciel - vulgo Carioca - e levou professores, alunos e funcionário da UNIC, IFET e UFMT pelo circuito das missiones Jesuitas.
A aventura foi organizada por Aroldo Maciel - vulgo Carioca - e levou professores, alunos e funcionário da UNIC, IFET e UFMT pelo circuito das missiones Jesuitas.
Primeiro - depois de um arroz com pato, banana frita e ovos estrelados - Don Jesus, nosso guia e amigo, deu-nos uma palhinha de suas habilidade com o violão. Isto em San Miguel de Velasco, em um restaurante típico.
Em seguida, um curioso ônibus de passageiros...
domingo, 22 de maio de 2011
Clube de Esquina - Cuiabá-MT: Lugar permeado por significados
Documentário produzido com princípios de pesquisa etnográfica - das alunas Elaine (ramona_tequila) e Aline Mirella - para a disciplina de Realidade Regional em Comunicação do 4o Semestre do curso de Jornalismo da UNIC - Universidade de Cuiabá, ministrada por mim.
O clube de esquina é um bar histórico e tradicional da capital cuiabana, que abrange diversos públicos.
Confiram.
EU ROBÔ! ou A maldição do abominável Doppelgänger docente
Belo depoimento. Já vi milhares assim. Colegas que se colocam na linha de frente para falar sobre sua situação e de seus colegas. Infelizmente, são tratados como baderneiros.
O interessante deste depoimento em especial é o contexto comunicacional onde ele se insere. A internet, como suporte comunicacional possibilitou este e outros eventos peculiares. Um fato social, um evento, ganhando notoriedade, se espalhando como um vírus.
Vamos falar de forma simples: a internet é um banquinho, onde todos podem falar e se sentir ouvidos. Isso é a verdadeira democratização dos meios de comunicação. Mediação, com o mínimo de ruído.
Por outro lado, me preocupa o uso ideológico deste evento. E a sua perecibilidade na rede. A melhor pauta de todos os tempos da última semana. A notoriedade do simulacro, do espetacular, ao invés do fato em si. Na prática, temos uma realidade democrática na internet, mas no mundo real, a apatia reina.
Os eventos virtuais mobililizam no mundo concreto? Creio que pouco. É como um game: jogamos a fase, superamos o desafio, desligamos o aparelho e depois vamos trabalhar. Matamos o gigante virtual, mas o golias de verdade continua pisando em nossos calos. E o que fazemos? Nos conformamos, desde que nosso mundinho privado esteja preservado. Desde que nosso direito cidadão de ser consumidor não seja atravessado.
Todos aplaudem. Mas na verdade é que no dia seguinte todos continuarão a reproduzir os discursos hegemônicos. Ficarão calados para preservar sua face positiva, encarnando o fiador dos discursos de outrem.
A autora da fala esteve no Faustão hoje. Praticamente vi o diabo olhando para os professores, com cara de troll, rindo, dando tapinha nas costas da moça. Como se estivesse tirando uma com a cara dos docentes e falando: olá, esta é só para vocês se arderem. Para que vejam a água no deserto. Mas dela não beberão. Metáfora desvairada, fruto de um dia de correções de TCC's.
Nesta linha de pensamento, cabe articular com Lévy, sobre os lados positivo e negativo da internet. Há a possibilidade de emancipação e há a alienação. Não romperemos a segunda somente com um suporte - se não isto já teria ocorrido com os adventos da imprensa, rádio e TV. É necessária uma formalização da educação para as mídias. Sempre baterei nesta tecla. Não adianta distribuir livros para analfabetos.
E viva o amendoim!
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