quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Se a Vida a Mim Tentassem Ensinar

Soneto de tragédia

*Rondon de Oliveira

Se a vida a mim tentassem ensinar
Sairiam despreocupados. Bem finjo,
Finjo que aprendo e ensino. É tanto engajo
que tudo que existe ouso ministrar.

Caso desde o começo, francamente
mostrar simplicidade de viver...
De ora o coito, cultivar e morrer,
E não criar mentiroso semblante...

Como não inventar? e o passa-tempo
morrer-se-ia assim, sem o tempo passar?
Tempo e Morte. Modifico o pensar,
Amarei longe de tudo, no campo.

Vida tem valor demais, mas preparo:
nossa morte é um preço muito caro.

Cuiabá, 28 de setembro de 2010

* Aluno do 2º semestre do Curso de comunicação Social - Jornalismo, da Universidade de Cuiabá (UNIC), Poeta e membro da cena gótica de Cuiabá-MT.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

TEORIA MATEMÁTICA DA COMUNICAÇÃO ou TEORIA DA INFORMAÇÃO

Trabalho avaliativo do curso de Propaganda, primeiro bimestre da disciplina Teorias da Comunicação I: Teoria Matemática da Comunicação. Vídeo produzido pelos alunos 2º semestre:

Joefferson Martins
Marcos Antônio
Mélker Rúbio
Taciane Letícia
Tayná Meirelles
Vanessa Oliveira
* Integrantes da Equipe Produção Ehh Massa!)



Bom trabalho. Interessante perceber que com um pouco de boa vontade e criatividade nossos futuros publicitários extrapolam os limites de um trabalho comum. Isso se chama IMPLICAÇÃO.

E viva o amendoim!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

"PIERRE BOURDIEU ERA UM GRANDE TROLL, VIU?!"

O título deste post é de autoria é de meu aluno @DouglasTrielli, do 4º Semestre de Jornalismo da UNIC. Manifestação da mais pura compreensão dos conceitos apreendidos mediante leitura do livro Sobre a televisão, do nosso amigo francês Pierre Bourdieu.

Fiquem tranquilos. Vejam a cara de satisfação do nosso querido Bourdieu, quando o mesmo viu as questões da prova de Estudos do Contemporâneo que será aplicada nesta Quarta-feira:
Bourdieu: Excelentchy!!!
ADOGO JORNALISHHHTASHHH... =)
TENSO. Aguardem cenas dos próximos capítulos.

Boa noite e até amanhã jovens padawans...

E viva o Amendoim!

PS: Link do 4shared para download da versão digital do polêmico livro, no link abaixo:

VIOLÊNCIA E EDUCAÇÃO: breves notas

* MARQUES, Rafael Rodrigues Lourenço

O tema violência é vasto, amedrontador e cheio de significados socialmente construídos. A história humana é permeada pelos fenômenos da violência e cada época e grupo social imprime um significado específico a este assunto. Mais do que isso, para além desta idéia coletiva acerca da violência, cada indivíduo também faz sua reflexão, a partir de seu crivo subjetivo. É portanto um objeto multi-facetado, que merece estudos a partir dos mais diversos olhares.

Uma importante perspectiva a ser assinalada é a do significado socialmente partilhado, o senso comum acerca da violência. Matta (1982) fala a maioria dos estudos feitos sobre o tema, mostram um olhar objetivo que evoca questões físicas, como agressões, brigas e confrontos, sempre em uma relação de desequilíbrio entre força e fraqueza.

Para o senso comum, a violência é mais ação do que processo. De acordo com Marques, Siqueira e Speller (2006), este pensamento que exclui o processo e retifica a ação é encontrado em muitas notícias veiculadas pela imprensa. Trata-se de um círculo de reprodução a ser rompido.

Esta dinâmica pode ser quebrada com diálogo e o exercício democrático, tomados como ações reflexivas. Na filosofia encontramos em Arendt (2001) a relação entre democracia e violência. As relações de poder na esfera pública, condicionadas ao conceito de autoridade que segundo a autora só existe mediante consentimento e apoio dos cidadãos da polis. A autoridade de “um” só pode existir se autorizada pela maioria.

Arendt (2001) afirma ainda que poder e violência são opostos, pois onde um domina absolutamente, o outro está ausente  e que a violência opera de forma recorrente onde o poder se desintegrou. Isto explica o fato de que as sociedades onde a democracia é limitada são lugares onde a violência impera como lei vigente.

Um aspecto da violência é encontrado em Costa (2002) quando este afirma que ela - a violência - é uma propriedade da cultura, ou melhor, um motor-propulsor da reprodução cultural, um dos mal-estares de nossa civilização, segundo a psicanálise.

No parágrafo acima, podemos perceber a relação entre violência e a teia social, circunscrita pela perspectiva da psicanálise. Paoli (1982) nos fala da contribuição dos saberes da psicanálise na relação entre social e indivíduo, mais precisamente da questão de um inconsciente ativo na determinação de condutas e na definição de identidade. Indivíduo desejante e sociedade se constroem mutuamente. Deste caldo, surge a cultura.

Podemos encontrar uma definição ampla de cultura em Guareschi (1982, p.122)
Um conjunto de sentidos e significações, de valores e padrões, incorporados e subjacentes aos fenômenos perceptíveis de ação e comunicação de um grupo humano concreto. Este conjunto é vivido pelo grupo e por ele assumido como expressão própria de sua realidade humano-social. É um conjunto que passa de geração para geração, conservando o que foi recebido, ou transformado, efetiva ou pretensamente, pelo próprio grupo
Uma definição mais alegórica de cultura que pode contribuir para uma reflexão acerca da questão discursiva é a encontrada em Calligaris (1997, p. 194),
[...] é fundamentalmente um fluxo discursivo, quer dizer tudo o que foi se articulando discursivamente, oralmente ou por escrito, no quadro desta cultura. (...) uma espécie de rio de palavras que vai andando e, no meio deste rio, a gente fala e pede carona. De repente, o que a gente diz só encontra significação no que vai ser dito ou no que foi dito antes. Uma cultura é isto, um enorme fluxo de produção discursiva.”
Dadas as relações entre violência e cultura, podemos refletir acerca do campo educacional. Assim como a violência, a educação possui um leque amplo de estudos e interpretações. Para delimitar e ao mesmo alinhavar os temas aqui discutidos, usaremos a definição de Kupfer (2000, p. 42). Para a autora é na escola que a criança (ou o jovem) aprende a fazer o laço social e é imersa na cultura. 
[...] o discurso da educação é justamente o que constitui e justifica o laço social, (...). Desta perspectiva, educar torna-se a prática social discursiva responsável pela imersão da criança na linguagem, tornando-a capaz por sua vez de produzir discurso, ou seja, de dirigir-se ao outro fazendo com isso laço social.          
A educação é aqui conceituada, portanto, como um discurso social que transmite a demanda social regulada pela cultura. Além disso, a educação contribui para a geração e a conservação da cultura, bem como também para a interação de culturas (IJUIN, 2005).

É portanto uma espécie de berço social, sendo permeada por discursos e relações de poderes. Um desequilíbrio entre poderes presentes no lócus escolar pode colaborar para a proliferação e massificação dos fenômenos da violência em nossa sociedade.

Violência na escola: banalização?
Para entender a sociedade, basta perceber o cotidiano da instituição escolar. Os fenômenos de exclusão social presentes em nosso país, bem como a crise educacional, citada na introdução deste trabalho, podem ser identificados na escola. Lá, a violência surge na forma de drogas, crimes e quebra de autoridade. (GUIMARÃES; DE PAULA, 1992).

Este é o contexto onde o professor, um dos protagonistas da cena escolar se insere. A identidade do professor vive um conflito tencionado. Por um lado a importância de sua função como reflexo e ponta de lança da sociedade do trabalho e por outro pela desvalorização de sua prática, seja pela má remuneração ou pela falta de condições de trabalho.

Está preso entre a figura do herói engajado e a de excluído emudecido. Entre discursos queixosos e falas idealistas. Por serem muitas vezes contraditórias, as palavras e ações do professor compreendem um vasto campo de significados a serem pesquisados e teorizados.

* Este trabalho é trecho de um futuro artigo. Ainda estou trabalhando nele... =)

domingo, 19 de setembro de 2010

PLURALIDADE HUMANA

Por Francieli Cela*
Ano eleitoral, assim se define a situação do Brasil em 2010. E como no nosso país em época de eleição não pode faltar escândalos, a mídia está cheia deles. É corrupção, quebra de sigilo bancário, telefônico e tudo mais. Mas como bons brasileiros que somos no próximo dia 03/10 vamos as urnas votar nas pessoas erradas de novo. Políticos que não se importam com a população apenas com o dinheiro. A questão é: existe pessoa certa?
Alguns acreditam que sim, que há um político que quer se dedicar integralmente ao povo brasileiro, outros acham que não, que todos são bandidos.  Nas propagandas eleitorais todos os candidatos parecem boas pessoas, humildes e solidárias com os problemas sociais. Mesmo assim, poucos acreditam na propaganda eleitoral, e muito menos assiste, a maioria desliga a TV e vai fazer outra coisa, ou quando deixa ligada, nem presta atenção.
Como já dizia Hannah Arendt, “O sentido da política é liberdade”, o problema está nas pessoas que perdem a cabeça por causa dela. A política não surge no homem, mas sim entre os homens, na sociedade. Todavia, este é um tema repudiado pelo povo, provavelmente por causa dessa sociedade corrompida pelo poder. Principalmente o poder aquisitivo, onde o dinheiro fala mais alto e a ética é para os tolos.
Para Hannah Arendt, a tarefa da política esta diretamente relacionada
com a grande aspiração do homem moderno: a busca da felicidade.
As pessoas se tornaram receosas quando o assunto é política, algumas até já desistiram de acreditar que pode mudar para melhor um dia. É um assunto que gera polêmica, embora se tenha perdido a essência da real política.
Sem dúvida sentar e esperar para ver o que acontecerá no governo é mais fácil do que agir e lutar pelos ideais, pela igualdade e liberdade, fazer acontecer, estar lá acompanhando o andamento político do Brasil. Mas como é mais fácil fazer o método mais fácil, então é só sentar e ver mais uma eleição passar e continuar sempre reclamando que o governo é ruim.
* Acadêmica do curso de Jornalismo da Universidade de Cuiabá (UNIC). Texto produzido para a disciplina Estudos do Contemporâneo, Profº Mestre Rafael R. L. Marques

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A HIPERREALIDADE DE JEAN BAUDRILLARD E O CASO NARDONI - Parte 2

* Denise Soares
Douglas Carvalho
Franciele Cela
Reinaldo Fernandes

TV e simulação: o caso Nardoni

Nas análises sobre os meios de comunicação, Baudrillard sempre deu destaque especial à televisão, a qual, segundo ele, através da produção exagerada de imagens, signos e mensagens, originou o “mundo simulacional”. Esta é intimamente relacionada com os significantes desconexos e com uma realidade totalmente estetizada no qual há uma perda da noção de realidade concreta. Neste mundo, as técnicas para produzir ilusões são sofisticadas (exemplo, a realidade virtual), através delas os indivíduos mudam de código muito rapidamente, anulando toda e qualquer relação com o passado.


O poder de dominação, de fascínio, de hipnotização da televisão sobre os indivíduos, é expresso em seu dizer irônico que “a imagem do homem sentado, contemplando num dia de greve sua tela de televisão vazia, constituirá no futuro uma das mais belas imagens da antropologia de nosso século”. Entendia os meios de comunicação de massa como veículos do fascínio bruto do ato terrorista, ou seja, na medida em que caminham para o fascínio são eles próprios terroristas, são manipuladores em todos os sentidos (uma vez que carregam consigo o sentido e o contra-sentido). Afirmou sem impossível encontrar um bom uso dos media, em suas palavras: “ele não existe”.

A mídia interfere em tudo o que acontece, mas é necessário definir onde essa interferência tem relevância e onde não altera a realidade. 
O casal Nardoni: do privado ao público.
Questão de justiça que se tornou espetáculo midiático.
 Conforme um artigo publicado no Observatório da Imprensa intitulado “O caso Nardoni e o novo fenômeno midiático da classe C” pode-se verificar como a mídia tem o poder de tornar um fato mais conhecido e sensibilizado:

A condenação do casal Nardoni é um bom exemplo disto. O julgamento dos acusados foi um espetáculo midiático onde os grandes protagonistas não foram os jornalistas, mas o público que ficou do lado de fora e os participantes do júri. Enquanto na fase das investigações, logo após o crime, a imprensa foi determinante na definição de ênfases, no julgamento ela se limitou a armar o palco. (CASTILHO, 2010).

O público viu o julgamento como se fosse um reality show, com muito drama e confusão. Muitas pessoas foram até o fórum para acompanhar mais de perto. Toda essa movimentação deu audiência às emissoras de TV, principalmente com a classe C.

A classe C é o grande filão de público para a TV aberta porque a população com maior renda já migrou para a TV a cabo ou para a internet. Foi a classe C que esteve na origem do fenômeno midiático dos Nardoni. É bom lembrar que tudo começou quando, há dois anos, a TV Record apostou na cobertura do crime e conseguiu uma empatia imediata da classe C. (CASTILHO, 2010).

O caso Nardoni se tornou uma estratégia comercial. Mas o público ficou confuso e não teve a chance identificar o que era da natureza do caso e o que era interesse comercial da mídia, disfarçado de jornalismo.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

O desejo da mídia pela audiência chega a um nível em que a realidade não é suficiente. Há a necessidade de criar uma hiperrealidade, e no fim essa simulação do real se torna o real. É muito mais fácil acreditar no que os meios de comunicação divulgam sem analisar do que investigar para ver se de fato o que é exibido pelos meios é verdadeiro, se não passa de um simulacro.

O simulacro está muito presente na sociedade, chegamos ao ponto em que não sabemos o que é a realidade e o que é criado. Uma situação simples torna-se um monstro e muitas vezes não é real, não passa de uma verdade inventada.

É de extrema importância saber diferenciar o real do hiperreal, saber o que acontece ao nosso redor e ver se não há alguma influência que altere as noticias e acontecimentos decorrentes ao dia a dia.


REFERÊNCIAS
 
BAUDRILLARD, J. Simulacros e simulações. Lisboa: Relógio d'Água, 1991.

CAMERON, J. Avatar. (Produção cinematográfica). 2010.

CASTILHO, A. O caso Nardoni e o novo fenômeno midiático da classe C. Disponível em: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?id_blog=2&id=DC41BB15-AEAA-4562-BB01-1496EC840FAC> Acesso em: 02 de Maio. 2010.

GIRON, L. A. Jean Baudrillard: A verdade oblíqua. (Entrevista). Disponível em: <http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT550009-1666,00.html> Acesso em 02 de Maio. 2010.


 * Acadêmicos do 4º semestre de comunicação social - habilitação em Jornalismo da Universidade de Cuiabá (UNIC). Trabalho produzido na disciplina de teoria da comunicação II, ministrada pelo Professor Mestre Rafael Marques.

A HIPERREALIDADE DE JEAN BAUDRILLARD E O CASO NARDONI - Parte 1

* Denise Soares
Douglas Carvalho
Franciele Cela
Reinaldo Fernandes

INTRODUÇÃO E REFERENCIAL


É perigoso desmascarar as imagens já que elas dissimulam que não há nada por detrás delas” (BAUDRILLARD, 1991, p. 48)


Este artigo foi realizado a partir de aulas de Teorias da Comunicação II. Tem por objetivo analisar o conceito de Simulação e Simulacros, desenvolvido por Jean Baudrillard (1991), no ambiente televisivo brasileiro. Para iniciar, há uma breve explanação sobre o conceito de hiperrealidade conforme a concepção do filósofo para adentrar à analise do “Caso Nardoni” e sua exposição nas emissoras de televisão Globo e Record.

O conceito de hiperreal foi postulado pelo sociólogo e filósofo francês Jean Baudrillard no livro Simulacros e Simulação, lançado no ano de 1981. O pensamento desenvolvido por Baudrillard sobre a sociedade pós-moderna causou polêmica, agregou admiradores e transformou o seu autor em referência entre aqueles que têm a sociedade pós-iluminista como objeto de estudos. Em suas análises, Baudrillard dispensa estudos sistematizados para dirigir o raciocínio em direção de uma teoria irônica que tem por fim formular hipóteses, possibilitando revelar aspectos impensáveis.

Para ele, a realidade pós-moderna é um simples reflexo e simulação daquilo que outrora pôde ser chamado de real (verdade). De tanto, Baudrillard compara o real momento a uma múmia que é puramente um objeto empanado de algo já fora humano. O que se vê é apenas um esboço representativo de um povo, de um tempo e lugar já perdido. Ou seja, o que é atualmente apresentado como verdade é apenas uma simulação de algo que foi real. Como ilustração, o sociólogo estabelece definições diferentes entre o fingir e o simular. Na concepção de Baudrillard, o ato de fingir não altera a realidade. É uma farsa na qual o ator principal está consciente de sua encenação. Pode-se fingir estar doente se comportando de forma de induza ao estado débil de saúde. “[...] Cria-se a geração pelos de um real sem origem e sem realidade: hiperreal” (BAUDRILLARD, 1981, p. 76).

A criação deste hiperreal se dá pela ausência de um referente, o que torna possível a constituição de uma sociedade que tem como base algo denominado. Segundo Baudrillard, “já não se trata de imitações, nem de dobragem, nem mesmo de paródia. Mas de uma substituição no real dos signos do real”. Antes, as referências eram baseadas em algo concreto, elementos de um mundo tangível. Ao contrário da atual realidade. Aqui o signo não é uma extensão do real, mas, sim, posa em substituição a ele.

Para exemplo podemos citar atual e recente evolução presenciada no núcleo cinematográfico. A nova tecnologia apresenta no filme “Avatar” (CAMERON, 2009) ilustra de forma clara a quebra da barreira entre o físico e virtual. O ambiente do filme transcorre ao longo de dois cenários onde um deles existe e inexiste ao mesmo tempo (N’avi), projetado pelo imaginário de alguém. Porém, este mundo situação fora do alcance geográfico pode ser atravesso pelo mundo físico que pertencemos.
Avatar: hiperrealidade e sedução.
Pandora, um mundo mais real que o mundo real.
A transferência para o habitat dos N’avis é possível através meios tecnológicos quais te possibilitam superar eventuais limitações físicas. Os simulacros são experiências, formas, códigos, digitalidades e objetos sem referência que se apresentam mais reais do que a própria realidade, ou seja, são “hiper-reais”. Conforme o autor “[...] a simulação já não é a simulação de um território, de um ser referencial, de uma substância. É a geração pelos modelos de um real sem origem nem realidade: hiper-real”. (BAUDRILLARD, 1991, p.08).

Assim, Baudrillard entendia nossa condição como a de uma ordem social na qual os simulacros e os sinais estão, de forma crescente, constituindo o mundo contemporâneo, de tal forma que qualquer distinção entre “real” e “irreal” torna-se impossível.

Portanto, vivemos em uma nova fase da história, em um novo mundo organizado em torno de simulacros e simulações, no qual somos alcançados, ininterruptamente pelo jogo de simulacros, o que transforma radicalmente nossas experiências de vida, destrói os sentidos e as significações, e esvazia completamente o conceito de realidade.

Sob este aspecto, Baudrillard (1991, p.45) destaca como força constitutiva por excelência do jogo de simulacros, os meios de comunicação. Ele enfatiza que “[..] temos que pensar nos media como se fossem, na órbita externa, uma espécie de código genético que comanda a mutação do real em hiper-real”.

Simulacro significa originalmente um objeto material que representa algo (como um ídolo que representa uma divindade, ou uma natureza morta pintada de uma bacia de frutas). No livro “Simulacros e Simulação”, Baudrillard discute a problemática relativa à morte do referente e consequentemente do que ele define como “real”.
Jean Baudrillard: 1929 - 2007
A simulação se dá na ausência da polaridade dialética. Este cenário é favorável a processos de manipulação da sociedade, não pela presença da passividade dos indivíduos envolvidos, mas pela indistinção entre os papéis – ativo e passivo. Caminha-se, nesse contexto, à implosão do sentido. A um processo em que a informação anula o próprio conteúdo das mensagens e novos modelos são criados, não mais a partir do real, mas para substituir a realidade.

Assim, tanto a comunicação como o social, funcionam em circuito fechado, como um logro – ao qual se liga a força de um mito. A crença, a fé na informação agarra-se a esta prova tautológica que o sistema dá de si próprio ao redobrar nos signos uma realidade impossível de encontrar.

Simula-se a comunicação e o sentido dela proveniente. Obviamente que dentro dessa perspectiva os meios deixam de produzir a socialização.

O simulacro, portanto, vale por si só como uma cópia sem modelo. Por exemplo, o desenho animado Betty Boop foi baseado cantora Helen Kane. Kane, no entanto, chegou à fama imitando Annette Hanshaw. Hanshaw e Kane terem caído em relativa obscuridade, enquanto Betty Boop continua sendo um ícone da língua.
Betty Boop: os humanos morrem e  
os signos são eternos?
A enciclopédia online Wikipedia em si pode ser vista como um grande experimento de campo em larga escala na propagação de simulacros. É notável que muitas páginas contem factóides sobre o significado das palavras no contexto fictício de filmes populares, vídeo e jogos de papéis, clichês normalmente derivados à imitação de outros, como ficções. Por exemplo, o filme de 1999, Matrix, explora a relação entre as pessoas e seus simulacros, e em mais um exemplo de auto-referência Neo, um dos personagens principais do filme, usa uma cavada cópia do Simulacro Jean Baudrillard e de simulação como um segredo armazenado.




Na medida específica para a ficção científica é o andróide que se destina especificamente para representar outra criatura (geralmente um ser humano). Muitas histórias que incluem partes Simulacro vários temas em comum:

• Simulacros são cópias sempre imperfeitas;

• Simulacros são distinguíveis do original, porque elas são baseadas em uma forma idealizada do que foi copiado;

• Há um desejo por parte do simulacro, quer ser mais parecido com o original (ou seja, Pinocchio), ou para substituir o original (ou seja, Doppelgangers)

No filme Blade Runner, andróides construídos na imitação dos seres humanos são banidos do planeta Terra, ainda retornam a Terra em busca de seu criador. Na esperança de ter seu pré-encerramento programado desfeito. Os andróides não são cópias de seres humanos reais - todos os quais, no filme, têm defeitos.
Blade Runner: o caçador de andróides (1982)
Direção: Ridley Scott
 Existem três ordens de simulacros:

(1) simulacros naturais, naturalistas: com a imagem, imitação e contrafação. Eles são harmoniosos, otimistas, e têm como objetivo a reconstituição, ou a instituição ideal, de uma natureza à imagem de Deus;

(2) simulacros produtivistas: com base na energia e força, materializada pela máquina e todo o sistema de produção. Seu objetivo é prometiano aplicação à escala mundial, a expansão contínua, liberação de energia indeterminado (o desejo é parte das utopias que pertencem a esta ordem de simulacros);

(3) simulacros de simulação: com base nas informações, o modelo, o jogo cibernético. Seu objetivo é a operacionalidade máxima, hiper-realidade, o controle total.

Não existe um real e não imaginário, exceto a certa distância. Atualmente, a partir de uma ordem de simulacros para o outro, estamos assistindo a redução e absorção dessa distância, dessa separação que permite um espaço ideal para a projeção ou crítico.

* Acadêmicos do 4º semestre de comunicação social - habilitação em Jornalismo da Universidade de Cuiabá (UNIC). Trabalho produzido na disciplina de teoria da comunicação II, ministrada pelo Professor Mestre Rafael Marques.

domingo, 29 de agosto de 2010

ESTAMOS AQUI... NO RIO CUIABÁAAAAAA...

Momento descontração. Mas tem um propósito.

Vejam atentamente e depois voltemos a conversar...


Pronto. Já relaxaram? Riram? Não? Não os culpo. É tosco mesmo. Mas vamos pensar...

Trata-se de um vídeo mais velho que andar para atrás. Eu e minha amiga Layla fizemos em meados de 2008, à caminho de um evento da UNE. A idéia era só uma brincadeira, mas a interpretação, não.

Surgiu em uma efervecente manifestação no curso de Comunicação Social da UFMT, quando eu era graduando em jornalismo. Na época, algum salafrário tinha roubado uma câmera de grande valor para o curso, e estávamos putos com aquilo. Fomos cobrar da reitoria mais segurança no Campus. Cada um criou uma personagem. Contávamos com o apoio de vários professores, como IURY (é assim que escreve o nome dele?), hoje na UNIRONDON e Emanuel, hoje, colega de UNIC.

Era um protesto criativo, sem quebra-quebra.

Conversamos. Atraímos a imprensa. No fim conseguimos o que queríamos. Daquele momento em diante, a segurança na UFMT mudou radicalmente. Para o bem e para o mal.

Lembram daquela frase popular "Cuidado com o que desejas... Pode vir a ser-te concedido"? Pois é. Se de um lado, a segurança melhorou, do outro surgiram questões polêmicas. Câmeras de vigilância, a polícia militar no campus... A opinião dos estudantes se dividiu. Michel Foucault foi invocado do túmulo. Seu livro Vigiar e punir era citado constantemente, como forma de legitimar a opinião de que as câmeras e o policiamento eram uma forma de controlar os estudantes.

Por outro lado, um movimento iniciado pelo Núcleo Interinstitucional de Estudos sobre a Violência e a Cidadania (NIEVCi) debatia e articulava políticas públicas sobre esta questão, tanto na universidade como nas escolas públicas do estado.

Um bom debate. Mostrou que a comunidade acadêmica era humana. Sim. Humana. Facilmente cooptada por ideologias e imersa na dimensão do senso comum. Deuses caiam dos altares. Humanos se sentiam divindades. Anarquistas faziam anarquices...

O interessante foi o questionamento. Foi o debate sobre questões interssantes, de interesse coletivo. Teve muita cretinice e autores sendo interpretados de forma pseudo-concreta? Teve. Mas também muito senso crítico.

Façamos isso. Vamos questionar e pensar. Primeiro a nós mesmos. Depois aquilo que se refere à teia que forma o tecido social. Sejamos críticos verdadeiramente, analisando friamente se determinada postura ou idéia que consideramos como nosso motor não passa de uma meia-verdade oriunda de maquinações de outrem.

Muitos falam que aqueles os acreditam nas falas de indivíduos que usam a mídia como trampolim para a política são alienados. Primeiro, acredite, todos o somos. A auto-crítica, a ironia e o humor são excelentes ingredientes terapêuticos para nossos recalques e para os mal-estares da contemporâneidade.

O palhaço zumbi: antropofagia circense. Rebelde e amargurado com a sociedade,
não assume que come o pão e atua no circo. Será que se ele começar a
rir de si mesmo, não acharia graça no mundo?
Cada um tem suas alienações particulares, seus vícios e virtudes. Relativizar todo este complexo nos amplia o campo de visão. O comunicador social deve estar ciente desta dinâmica, sobretudo em tempos pós-modernos, quando tudo é fluído, instável e incerto.

Na pós-modernidade a verdade é como a erva de chimarrão: verdinha e quente, na forma de infusão, ajuda a quebrar cáculos renais. Mas depois, descartada no lixo, toma a aparência de esterco bovino. Este, aliás, ótimo adubo para plantas. E como já dizia o poeta de boteco: é falando merda é que se aduba a vida...

E viva o Amendoim!